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Pesquisa monitora qualidade da água de igarapés de Manaus

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A qualidade da água de três igarapés localizados no perímetro urbano de Manaus foi checada com o uso de peixes da espécie Aequidens pallidus, popularmente conhecidos como Acará Duas Pintas. A partir disso, foi possível detectar dados sobre acidez, temperatura, odor e transparência da água, além do grau de toxidade dos igarapés estudados e o impacto na saúde dos peixes. O projeto recebeu apoio do Governo do Estado, via Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).  

De acordo com a coordenadora do estudo, Fabíola Domingos Moreira, pesquisadora do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), foram detectadas alterações estruturais nos peixes e aumento na quantidade de proteínas que indicam presença de metais na água. Com isso, os resultados do projeto contém informações que podem subsidiar ações de manejo e conservação dos recursos aquáticos da cidade. 

Na pesquisa, foram checados os parâmetros básicos da qualidade da água de três igarapés de Manaus localizados no conjunto Nova República, no campus da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e no campus do próprio Inpa.  

Conforme destacou a pesquisadora, na primeira fase do projeto foram coletados peixes no igarapé da Nova República. Os animais então permaneceram em quarentena em um laboratório do Inpa. Após isso, cada um dos igarapés recebeu dez peixes com o objetivo de usá-los para monitorar e comparar os efeitos que esses cursos d’água poderiam exercer na saúde dos Acarás Duas Pintas. 

“Fizemos um experimento in situ. Levamos os peixes para os três igarapés e deixamos lá por sete dias. Avaliamos a qualidade da água e percebemos ser nítida a diferença de temperatura. Um igarapé mais preservado geralmente tem água mais fria. E os que são mais impactados, os que não tem tanta cobertura vegetal, apresentam temperaturas mais altas. A cor, o odor, a transparência da água também foi diferente entre os igarapés”, explicou.  

Depois desse período, os peixes foram transportados para o Laboratório de Ecotoxicologia Aquática na Amazônia, do Inpa, para a realização das análises a fim de detectar, quantificar e comparar os dados obtidos por meio da exposição dos animais a águas com diferentes níveis de degradação.

Contribuição 

Segundo a coordenadora, a pesquisa visa contribuir para a melhoria da qualidade ambiental já que as alterações observadas podem ser revertidas se houver a recuperação da condição da água dos igarapés.  

As informações geradas neste projeto também poderão ser utilizadas para comparações futuras.  

Iniciada em 2019, a pesquisa está em fase de conclusão e contou com a participação de pesquisadores do Inpa, da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Apoio Fapeam

Fabíola Domingos Moreira classificou como de extrema importância o apoio da Fapeam para o início, andamento e conclusão da pesquisa. “O apoio da fundação tem sido um diferencial nas nossas pesquisas. O recurso foi muito importante para viabilizar as análises”, celebrou.  

A pesquisa, intitulada “Biomonitoramento de ambientes aquáticos da Amazônia: abordagem com biomarcadores de exposição e efeito”, recebeu apoio da Fapeam por meio do edital Nº 006/2019 do Programa Universal Amazonas.  

O objetivo do Universal é financiar atividades de pesquisa científica, tecnológica e de inovação, ou de transferência tecnológica, em todas as áreas do conhecimento, que representem contribuição significativa para o desenvolvimento socioeconômico e ambiental do Estado do Amazonas em instituição de pesquisa ou ensino superior ou centro de pesquisa, público ou privado, sem fins lucrativos, com sede ou unidade permanente no Estado do Amazonas.

FOTOS: Lidia Aguiar da Silva

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