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Arqueólogos decifram inscrição que prova a existência do rei Ezequias

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Após uma década de pesquisas, arqueólogos israelenses decifraram uma inscrição do século 8 a.C, que faz referência ao rei bíblico Ezequias e suas realizações.

O artefato foi descoberto durante escavações na Cidade de Davi, em Jerusalém, em 2007, mas não foi oficialmente decifrado até recentemente.

Ao longo da Bíblia, o rei Ezequias é mencionado várias vezes pela construção de açudes e túneis que canalizaram água para Judá. A descoberta da pedra inscrita foi feita exatamente em um açude — na Fonte de Giom, que foi a principal fonte de água para Ofel, local original de Jerusalém.

O rei Ezequias também foi conhecido por fazer “o que o Senhor aprova, tal como tinha feito Davi, seu predecessor.” (2 Crônicas 29:2).

Descoberta mais importante

Para Gershon Galil, professor de estudos bíblicos e história antiga da Universidade de Haifa, esta é “uma das mais importantes descobertas arqueológicas em Israel de todos os tempos”.

De acordo com Galil, a inscrição decifrada menciona o nome de Ezequias e resume suas principais ações durante os primeiros 17 anos de seu reinado, incluindo os projetos de canalização de água, a conquista da Filístia e sua acumulação de bens.

Além disso, as inscrições indicam que o projeto do açude foi concluído em 709 a.C.

“Estas são as inscrições reais mais completas que temos e são mais uma evidência de que os reis de Israel e Judá escreveram inscrições reais que indicavam seus nomes e ações”, ele afirma, segundo o site Jerusalem Post.

O que diz a antiga inscrição bíblica?

Esta é uma citação literal da inscrição, que inclui 11 linhas, 64 palavras e 243 letras:

Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá,

fez o açude e o aqueduto

No décimo sétimo ano, no segundo [dia], no quarto [mês],

do rei Ezequias, o rei trouxe

a água na cidade por um túnel, o rei conduziu 

a água na piscina. Ele feriu os filisteus

de Ekron para Gaza e colocou lá a unidade OREB do 

Exército de Judá. Ele freou as imagens e freou em ‘pedaços’ o Nehu’sh’tan

e ele removeu os lugares altos e derrubou o poste-ídolo. Ezek’ia’h, o rei,

acumulou em todas as suas casas de tesouro e na casa de YHWH

muita prata e ouro, perfumes e bons unguentos.

A inscrição, explica Galil, “é organizada em ordem literária, não cronologicamente, e é dividida em cinco componentes: título, projeto de água, guerras contra a Filístia, reforma e acumulação de bens.

Inclui versículos que aparecem de forma literal ou com pequenas alterações na Bíblia, como: “Ezequias, filho de Acaz, rei de Judá”, “Fez a piscina e o aqueduto”, “trouxe água para a cidade”, “feriu os filisteus… até Gaza,” “quebrou as imagens e quebrou em pedaços o… Nehushtan e removeu os lugares altos e derrubou Aserá”, “em todos os seus tesouros e na casa de YHWH, prata… e ouro, perfumes e bons unguentos” (veja 2 Reis 18:1,4 e 8; 20:13, 20).

Texto mais antigo da Bíblia já encontrado

O estudioso da Bíblia da Universidade de Haifa acrescentou que “esses são, na verdade, os primeiros manuscritos da Bíblia.” 

“Eles antecedem os amuletos de prata Ketef Hinnom por cerca de 100 anos, e os Manuscritos do Mar Morto por centenas de anos. Eles também sustentam o argumento de que as escrituras do Livro dos Reis são baseadas em textos originários de crônicas e inscrições reais, e que a Bíblia reflete a realidade histórica e não a imaginação”, destaca.

Os pergaminhos Ketef Hinnom foram descobertos perto da Cidade Velha de Jerusalém em 1979 e – até agora – eram considerados os textos mais antigos da Bíblia, datando de cerca de 600 a.C, o período do Primeiro Templo.

Fonte: Guia-me com informações de Jerusalem Post

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