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Arthur Neto se despede do PSDB e relembra que Lula quis mandato de 12 anos

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O ex-prefeito de Manaus e ex-senador da República, Arthur Virgílio Neto, usou as redes sociais nessa quinta-feira (17) para informar sua saída do Partido da Social Democracia Brasileira (PSDB) após 35 anos de militância. E na carta de despedida destacou entre outras coisas, que a sigla impediu que Lula (PT) aprovasse no Congresso Nacional a possibilidade de um terceiro mandato. A proposta foi articulada pelo petista em 2009.

“Como senador, liderei a brilhante, influente e numerosa bancada de senadores tucanos, atuando na trilha de uma oposição dura e sensata ao presidente Lula da Silva. Capitaneamos a derrubada do imposto injusto, que cobrava a mesma alíquota de ricos e pobres: a prejudicial CPMF. E mostramos ao presidente reeleito que, com aquela bancada respeitável a vigiá-lo, ele jamais conseguiria o que era, na verdade, o ‘venezuelano’ terceiro mandato”, disse.

Com a saída de Arthur Virgílio, o PSDB Amazonas passa a ser comandado pelo senador Plínio Valério, que venceu a disputa interna com a agora ex-presidente. Eles tiveram atritos durante o processo eleitoral, já que o senador tinha o desejo de disputar o Governo do Amazonas e Arthur articulou a candidatura de Amazonino Mendes (Cidadania).

Leia na íntegra a carta de Arthur Neto:

Presidente Bruno Araújo,

Fiquei feliz e aliviado quando soube, pelo meu filho e só por ele, da decisão do PSDB de entregar o comando regional do Amazonas a um grupo de pessoas às quais desejo felicidades, êxitos, distância da corrupção e independência em relação a certos partidos e certos políticos.

Fico feliz, porque me machucava bastante o coração ver aquele que já foi o melhor – e de mais significativo legado – partido da história republicana brasileira se descaracterizar e se ir transformando numa agremiação parecida com tantas outras, filhas da mesmice, da irrelevância e da mediocridade.

Minha lealdade e senso de responsabilidade me impediram, durante um bom tempo, de abandonar o partido que, incontestável e efetivamente, ajudei a construir.

Obrigado, portanto, por me propiciar a oportunidade de sair, de cabeça erguida e aliviado da carga que já não me agradava carregar.

Fiz parte da 1ª Executiva Provisória do MDB, no Rio de Janeiro, por indicação da liderança estudantil, para confrontar o adesista governador Chagas Freitas e não permitir que o partido de oposição à ditadura fosse dominado pelos que tinham apego mórbido a cargos e vantagens públicos.

Daí em diante foi uma sequência de missões que, inapelavelmente, me levavam a lutar com muita força pelo restabelecimento do regime democrático.

Conquistada a democracia, muitas lutas passaram a ser motivo de vida para meu cérebro e meu coração.

Fui deputado federal e senador por 20 anos, duas vezes líder congressual do presidente-estadista Fernando Henrique Cardoso, que me conferiu a honra de poder colaborar com o Brasil na condição de Ministro-Chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República. Como senador, liderei a brilhante, influente e numerosa bancada de senadores tucanos, atuando na trilha de uma oposição dura e sensata ao presidente Lula da Silva. Capitaneamos a derrubada do imposto injusto, que cobrava a mesma alíquota de ricos e pobres: a prejudicial CPMF. E mostramos ao presidente reeleito que, com aquela bancada respeitável a vigiá-lo, ele jamais conseguiria o que era, na verdade, o “venezuelano” terceiro mandato.

Muito bem, prezado presidente Bruno. Agradeço seu gesto. Essencial para entender a índole daqueles que hoje dirigem um partido decadente, que já foi o mais respeitado no país, com reflexos mais que positivos no exterior. Mas volto a agradecer sua atitude, para mim uma alforria, uma libertação. O futuro a Deus pertence. E como bem dizia o poeta Ronaldo Cunha Lima, “em política, ninguém mata, ninguém morre”.

Há futuro pela frente e, para mim, nem posso dizer se, um dia, me filiarei a algum outro partido.

Meu coração diz que não; vamos ver a mensagem do cérebro.

Comunico—lhe, enfim, minha desfiliação do partido que recebeu quase 35 anos da modesta contribuição que eu e minhas limitações lhe poderiam emprestar.

Saudações democráticas,
Arthur Virgílio Neto

Fonte: Blog do Thiago Botelho

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